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Dica de Leitura: Dom Quixote - o melhor livro do mundo!

20:39 A leitora 0 Comentários Categoria : , , , ,

        Hey Leitores!  

     Quem pode falar, com toda certeza, qual é o melhor livro do mundo?Acredito que não muitos. Mas  muitos poderão responder qual é o livro de maior significado para a a literatura mundial e, com certeza, Dom Quixote mencionado por aqueles que estudam e realmente entendem de literatura.
     Contudo, não precisa ser um éxpert para perceber o quão especial é essa narrativa, simples, porém rica, crítica, porém leve, engraçada e cativante. Cabe apenas ao leitor deliciar-se com as aventuras do "Engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha", que dará o ar de sua graça em futuros posts desse humilde blog. Então, que tal saber um pouco mais sobre essa incrível aventura, sem a qual não teríamos os livros de que tanto gostamos hoje em dia ?


Dom Quixote: a aventura de ler um romance

Roberta Bencini 

     Quatro séculos atrás, um nobre velho, decadente e louco sai pela Espanha com Sancho Pança, seu fiel escudeiro, para lutar pela paz e a justiça. No caminho, encontra Dulcinéa, uma pobre camponesa a quem dedica suas conquistas; combate moinhos de ventos, pensando ser gigantes, e liberta presos perigosos, imaginando que fossem homens de bem. Até hoje o mundo comenta o livro Dom Quixote de la Mancha que o espanhol Miguel de Cervantes de Saavedra (1547-1616), lançou em duas partes: a primeira em 1605 e a segunda em 1615. 

     Como pode um herói de 400 anos ser ainda tão atual e importante para a literatura? Dom Quixote de la Mancha é a obra mais traduzida no mundo depois da Bíblia. Ela inaugura o romance moderno, com sua diversidade de gêneros e cenários. Para 100 dos mais reputados escritores da atualidade, a história foi eleita como a melhor obra de ficção de todos os tempos. E os valores que o personagem defende transcendem lendas e séculos — até hoje a paz e a justiça são temas atuais e urgentes. Dom Quixote de la Mancha é o melhor exemplo do que seja um clássico! 

     O escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) escreveu uma vez: "Poderiam perder-se todos os exemplares do Quixote, em castelhano e nas traduções; poderiam perder-se todos, mas a figura de Dom Quixote já é parte da memória da humanidade". Difícil quem nunca tenha ouvido falar ao menos uma vez dessa figura encantadora. O escritor brasileiro Monteiro Lobato contou a história do nobre no livro Dom Quixote para Crianças e, depois, a saga foi exibida na TV como um episódio do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Nas artes plásticas, a imagem do cavaleiro foi desenhada por pintores como os espanhóis Pablo Picasso e Salvador Dalí e o brasileiro Candido Portinari. 

     O grande desafio é ler a obra original. Sim, é difícil encarar um livro enorme (são 126 capítulos!) e de linguagem antiga (pudera, o vocabulário tem 400 anos!). Mesmo com diversas adaptações disponíveis no mercado, não há como dispensar a leitura de ao menos alguns capítulos do original. "Trata-se, sem dúvida, de um livro arcaico, mas é interessante se deslocar no tempo, conhecer as façanhas de um personagem que defende os ideais que nós até hoje defendemos", explica Maria Augusta da Costa Vieira, professora da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Cervantes. 

O livro inaugura o romance moderno

     [...] Até o lançamento do livro, a forma literária típica da época medieval eram as novelas de cavalaria. No século 16, já considerava-se o gênero ultrapassado. Cavaleiros corajosos e damas eternamente à espera de um amor, características dessas histórias, não faziam mais sentido em um tempo de expansão mercantil. Em Portugal e na Espanha, que se destacavam pelo descobrimento de terras distantes, esses ideais se mantinham. "A obra de Cervantes encerra essa antiga forma de narrativa, parodiando os cavaleiros jovens, valentes e destemidos. O autor cria um personagem velho e louco, que, por mais encantador que seja, não consegue vencer uma batalha. Ele ridiculariza o gênero e apresenta um novo, muito mais interessante", explica a professora Maria Augusta. No final, Dom Quixote não é coberto de louros, como os outros heroís, mas morre arrependido. Suas ilusões e o choque entre a realidade e o sonho é que seduzem o leitor. 
     Mais uma prova do fascínio que a obra desperta está no fato de que personagens de muitos livros são inspirados no cavaleiro. O náufrago Robinson Crusoe e o nativo Sexta-feira, da obra do inglês Daniel Defoe, têm muito a ver com Quixote e Sancho Pança, assim como Pinóquio e o Grilo Falante, da história infantil de Carlo Collodi. Até o dramaturgo inglês William Shakespeare, acreditam alguns especialistas, criou Otelo e Hamlet depois de ler Cervantes — os personagens têm muitos traços em comum com Dom Quixote. No Brasil, Mário de Andrade bebeu da fonte espanhola para compor Macunaíma. No cinema, a alma de Quixote está presente no Carlitos, de Charles Chaplin, e no personagem-título de Cidadão Kane, de Orson Wells.
     Mesmo sendo tão antiga, essa saga é, sem dúvida, capaz de despertar o interesse dos seus alunos. As figuras de Dom Quixote e Sancho Pança estão muito próximas do perfil dos adolescentes de hoje: apesar da violência, eles sonham com um mundo ideal e mais justo, vivem entre a realidade e a fantasia, mudam de humor com facilidade e sofrem por não conseguir levar a vida como desejam. É isso que diferencia uma obra clássica de outras fugazes: o leitor experimenta as emoções dos personagens e busca respostas para a própria vida.

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